A convenção que homologou a candidatura à reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) neste sábado (1/8), em São Paulo, teve ares de culto religioso, elogios às mulheres, juras de amor a Jair Bolsonaro e serviu de palanque para o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) no maior colégio eleitoral do país. Lado a lado, ambos reafirmaram o compromisso de estarem juntos na oposição ao PT e tentaram afastar as desconfianças de líderes da centro-direita de que o governador seguirá uma agenda própria, já de olho em 2030. O presidenciável do PL também aproveitou o encontro partidário para se aproximar do Republicanos. Ao discursar, Flávio afirmou que Lula (PT) tem o povo de São Paulo e Tarcísio como “inimigos”.
O objetivo, segundo apurou o JOTA com fontes das duas campanhas, é criar no eleitor uma “vacina’, como se diz no jargão da política, contra o voto “TarciLula” ou “Lularcísio” pelas reeleições do presidente e do governador. Em retribuição, Tarcísio listou o que entende como avanços de sua gestão e enalteceu a eventual parceria, dizendo que a vida em São Paulo já está boa, mesmo tendo o PT no governo federal. “Imagina o que vai acontecer com o Flávio na Presidência”, completou. Tarcísio foi cotado para concorrer à Presidência como candidato da família Bolsonaro, mas foi preterido e decidiu concorrer à reeleição.
Desde então, passou a ser citado como um nome forte para 2030. Nesse sentido, o melhor cenário para ele seria, em tese, a vitória neste ano de Lula, que não poderá concorrer a um novo mandato, diferentemente de F. lávio. O governador já havia feito elogios e declarações de amor ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu padrinho político e pai do presidenciável.
“Nós amamos seu pai, nós amamos Jair Messias Bolsonaro.” No entanto, para além da retórica, um clima de frieza tomou conta do evento após o discurso de Flávio, que antecedeu Tarcísio entre os oradores. As arquibancadas do Ginásio do Ibirapuera, antes lotadas, começaram a se esvaziar. Foi preciso o mestre de cerimônias pedir celeridade a todos para que a convenção não terminasse sem plateia. Quer receber reportagens do JOTA com mais frequência?
Consulte a referência na fonte original e selecione o JOTA como fonte de informação no Google Notícias Conforme as mais recentes pesquisas, Tarcísio segue isolado na preferência dos eleitores, muito à frente de Fernando Haddad (PT), o candidato a governador escolhido por Lula. Porém, o mesmo não acontece com Flávio Bolsonaro no estado. O filho mais velho de Jair Bolsonaro está empatado tecnicamente com o presidente na maioria dos levantamentos. Ou seja, o presidenciável do PL precisa mais do governador do que o governador dele.
Primeiro turno, louvor e mulheres A mais recente pesquisa Genial/Quaest para o governo de São Paulo, indica que, se as eleições fossem hoje, Tarcísio obteria cerca de 57% dos votos válidos, frente a 36% de Haddad, desempenho suficiente para encerrar a disputa já no primeiro turno. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), explicitou, ao dizer que o PT não governará o estado: “Depende de nós ganharmos no primeiro turno contra aquele que foi o pior prefeito de São Paulo [Haddad]”. Além do Republicanos e do MDB de Nunes, a aliança formada em torno de Tarcísio, a maior que a centro-direita já conseguiu em São Paulo desde a redemocratização (1985), tem ainda a federação União-PP, o Podemos, o PL, o PSD, a federação PSDB-Cidadania, Solidariedade, PRD, Avante e Novo. Os emedebistas indicaram o vice da chapa, Felício Ramuth, ex-aliado de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e que não compareceu à convecção deste sábado.
Os dois candidatos ao Senado são Guilherme Derrite (União-PP) e André do Prado (PL). Em seus discursos, eles também atacaram Haddad e afirmaram que Tarcísio vencerá no primeiro turno. “Nunca vamos deixar o PT governar São Paulo”, disse Derrite. Presidente do Republicanos, o deputado federal Marcos Pereira (SP) improvisou uma homenagem, reunindo em uma foto sua esposa, Margareth Pereira; as primeiras-damas Cristiane Freitas, casada com Tarcísio; Regina Nunes, casada com Nunes; além da senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
“Quando disserem que nós não respeitamos as mulheres, que nós não valorizamos as mulheres é mentira”, afirmou dirigente. Pereira aproveitou para dizer que, em São Paulo, seu candidato a presidente é Flávio Bolsonaro, que tentar atrair o Republicanos para sua candidatura. A decisão deverá ser tomada na próxima semana. Além de política, a convenção teve forte apelo religioso.
Integrantes do Renascer Praise, um dos grupos de música cristã contemporânea (gospel) mais tradicionais e influentes do Brasil, se apresentaram no palco principal, no qual, ao lado do governador, estava a bispa Sônia Hernandes. Tarcísio e Cristiane choraram ao ouvir a interpretação de um louvor. Programa para a campanha Tarcísio aproveitou a enorme estrutura da convenção para gravar vídeos que deverão ser usados nos programas eleitorais. Ao discursar, ele citou a “coragem” como uma das marcas de sua gestão.
Disse que levou água e esgoto “para quem não tinha”, em uma resposta às críticas que o PT vem fazendo por conta da privatização da Sabesp. Na área da segurança, prometeu ampliar o uso de inteligência artificial no combate e resolução dos crimes. Listou obras que estavam paradas e foram retomadas por seu governo e prometeu ampliar a Tabela do SUS Paulista.