Nota da Curadoria De criança que dividia colchão e sapato a juíza do TJ-AC: uma trajetória de obstáculos vencidos pela educação e pelo concurso público. A posse de Rosilene Santana no Tribunal de Justiça do Acre, em 2023, concentra um percurso marcado por privações que raramente figuram nas trajetórias da magistratura. Vinda da comunidade de Pajeú, zona rural de Oliveira dos Brejinhos, na Bahia, a juíza converteu a experiência de fome e trabalho infantil em um projeto pessoal de ascensão pela educação e pelo serviço público. Nascida em família de agricultores, segunda de sete filhos, Rosilene cresceu sem eletricidade nem água encanada e teve parto assistido por parteira em casa.
Aos seis anos já trabalhava na lavoura puxando bois e cavalos; na infância passou períodos sem aulas por falta de professor e, mais tarde, precisou se mudar para a cidade com a irmã, onde chegaram a dormir juntas num único colchão e a revezar um par de sapatos para poder frequentar a escola. A necessidade impôs escolhas duras. As irmãs trabalharam como babás ainda na pré-adolescência e, já jovem, Rosilene conciliou emprego doméstico e estudos; fez supletivo para concluir o ensino médio, cursou técnico em Edificações no então Cefet e conseguiu vaga em Direito em 2008 com bolsa parcial. Estudou à noite enquanto trabalhava em tempo integral, foi aprovada no exame da OAB ainda antes de concluir a graduação e seguiu formação na Escola da Magistratura em Vitória.
A trajetória rumo ao cargo público incluiu anos de preparação para concurso, com mais de uma dezena de provas para a magistratura e sacrifícios financeiros para manter os estudos. A reportagem disponível interrompe a narrativa no relato de uma perda pessoal ocorrida em 2018, quando a mãe de Rosilene faleceu, e registra que em 2023 ela tomou posse como juíza no Tribunal de Justiça do Acre. A história de Rosilene expõe barreiras persistentes ao acesso à educação e às carreiras jurídicas e lança questões sobre representatividade social no Judiciário. O material não traz número de processo, comarca ou detalhes sobre a vaga para a qual tomou posse, limites que impedem avaliações mais precisas sobre impacto institucional e eventuais reflexos em políticas de inclusão na formação de magistrados.
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