Nota da Curadoria Intervenções do STF e do TSE na reta final reforçaram a narrativa antissistema e colocaram as instituições no epicentro da disputa; duas trajetórias pós‑eleitorais ampliam os riscos à estabilidade Decisões judiciais tomadas nas últimas semanas mudaram o tom da reta final da campanha e intensificaram um discurso que já vinha se aproximando do veto às instituições. O cancelamento do debate da TV Globo e as ordens de cortesias processuais dadas por tribunais elevaram a percepção de crise entre eleitores e atores políticos, com impacto direto sobre o apelo antissistema que o bolsonarismo vinha cultivando. O debate da emissora foi suspenso depois de uma sequência de determinações judiciais: a ministra do Tribunal Superior Eleitoral Estela Aranha impediu que a Globo exibisse o púlpito vazio de Lula, e o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes decidiu pela participação de Renan Santos (Missão). Lula já havia afirmado que não debateria com quem tem 1% das intenções de voto e optou por conceder entrevista ao podcast Flow.
Após as decisões, Flávio Bolsonaro também recusou o confronto e passou a denunciar interferência do Judiciário. Uma hipótese que preocupa observadores é a de que, se Lula vencer conforme indicam pesquisas, setores bolsonaristas possam não reconhecer o resultado. A retórica já mudou nos últimos dias: aliados do senador intensificaram a acusação de que o Judiciário tenta garantir a vitória no "tapetão". Com a evocação de voto de protesto e de uma revolta contra o sistema, o bolsonarismo busca transformar decisões judiciais em argumento mobilizador para evitar a abstenção e radicalizar a base.
No outro extremo, se Flávio Bolsonaro for eleito, a narrativa muda: um novo governo bolsonarista chegaria legitimado pelas urnas e com margem para reformas institucionais. O senador e seus aliados afirmam contar com cinco das onze vagas do STF, por entenderem provável o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. O coordenador de campanha, Rogério Marinho, tem procurado ministros da Corte, entre eles Cristiano Zanin e Dias Toffoli, numa tentativa de construir interlocução que, segundo seus apoiadores, evitaria uma implosão institucional. Os dois cenários desenham um horizonte de maior tensão institucional.
A fadiga do eleitorado torna as reações imprevisíveis e as decisões judiciais de alto impacto contribuem para construir uma narrativa de desequilíbrio que pode facilitar tanto a contestação do resultado quanto a consolidação de projetos de reconfiguração do Poder Judiciário. Ainda não é possível mensurar as consequências eleitorais, mas as instituições estarão no centro dos conflitos pós-eleitorais. Conclusão As intervenções do Judiciário na reta final da campanha ampliaram a narrativa antissistema e aumentaram o risco de contestação institucional do resultado, seja qual for o vencedor. Dados do processo Tribunal ou órgão Supremo Tribunal Federal; Tribunal Superior Eleitoral Leia a matéria completa em JOTA - Justiça e Política: acessar a publicação original .