Governo mantém carga do 'imposto do pecado' para 2027

Ministério da Fazenda envia medida provisória ao Congresso para estabelecer transição do tributo.

Governo mantém carga do 'imposto do pecado' para 2027

Nota da Curadoria Ministro da Fazenda diz que MP será enviada ao Congresso e prevê ano de transição em 2027; aumento da alíquota ficaria para 2028 O governo decidiu manter, em 2027, a carga tributária vigente sobre os produtos atingidos pelo novo Imposto Seletivo, o chamado “imposto do pecado”,, em medida anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026. A manutenção cria um ano de transição antes do aumento previsto para 2028 e tende a reduzir choques imediatos sobre preços e cadeias produtivas. Durigan informou que a medida provisória que institui o Imposto Seletivo saiu do Ministério da Fazenda e está na Casa Civil, com reunião agendada no mesmo dia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar do envio ao Congresso Nacional. A expectativa do ministro é despachar a proposta ao parlamento ainda nesta terça; segundo ele, a MP precisa ser aprovada até o fim do ano para garantir a vigência no cronograma definido pelo governo.

Para acomodar a transição, há acordo com os setores afetados para manter a tributação atual no próximo ano. Como o Imposto Seletivo prevê noventena, prazo de 90 dias para vigência após a aprovação pelo Legislativo,, o governo combinou que o Imposto Sobre Produtos Industrializados continuará a incidir sobre esses itens enquanto a noventena estiver em curso, o que, na avaliação das partes, deve durar até fevereiro de 2027. A reforma tributária sobre o consumo criou o Imposto Seletivo com o objetivo de encarecer produtos e atividades que causam danos à saúde ou ao meio ambiente. Estão na lista bebidas alcoólicas, refrigerantes, cigarros, determinados veículos segundo níveis de poluição, extração mineral e loterias, apostas e jogos de fantasy sports.

A proposta orçamentária do governo estima arrecadação de R$ 41,9 bilhões com o tributo em 2027; somado à Contribuição sobre Bens e Serviços, a intenção é manter a arrecadação estável em proporção ao PIB. O próprio governo usa estudos para justificar a tributação: levantamento da Fiocruz citado pelo Ministério da Saúde apontou custos do consumo de álcool de R$ 18,8 bilhões em 2019, com R$ 1,1 bilhão em gastos federais diretos no SUS e R$ 17,7 bilhões em perda de produtividade. Do tabagismo, o ministério traz números que combinam custos indiretos e diretos avaliados em R$ 153,5 bilhões ao ano, enquanto a arrecadação federal com venda de cigarros é estimada em R$ 8 bilhões. Produtores argumentam que bebidas alcoólicas já suportam cargas que vão de 40% a mais de 80% do preço, e alertam para risco de perda de margem, alta de preços, demissões e expansão do mercado ilegal caso haja aumento imediato da tributação.

O texto final da medida provisória e detalhes operacionais do reajuste ainda não foram divulgados publicamente. Leia a matéria completa em Direito News: acessar a publicação original .

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