Grupo de milicianos de Vorcaro tinha até férias de fim de ano, mostram mensagens obtidas pela PF

O grupo que era pago para obter informações sigilosas e intimidar pessoas a serviço do ex-banqueiro Daniel Vorcaro tinha até férias de fim de ano. Mensagens recuperadas pela Polícia Federal mostram que o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, apontado pelos investigadores como líder de "A Turma", chegou a cobrar uma definição sobre suas demandas, porque seus integrantes entrariam de férias e o serviço poderia ficar para a última hora. Leia mais (09/13/2026 - 13h28)

Grupo de milicianos de Vorcaro tinha até férias de fim de ano, mostram mensagens obtidas pela PF

O grupo que era pago para obter informações sigilosas e intimidar pessoas a serviço do ex-banqueiro Daniel Vorcaro tinha até férias de fim de ano. Mensagens recuperadas pela Polícia Federal mostram que o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, apontado pelos investigadores como líder de "A Turma" , chegou a cobrar uma definição sobre suas demandas, porque seus integrantes entrariam de férias e o serviço poderia ficar para a última hora. O episódio faz parte da análise feita pela PF sobre conversas mantidas entre Vorcaro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário . O relatório reconstrói mensagens trocadas entre outubro de 2023 e novembro de 2025.

Segundo a PF, Mourão funcionava como intermediário entre Vorcaro e grupos contratados para executar diferentes tipos de serviço. Um deles era chamado nas próprias conversas de "A Turma" e seria liderado por Marilson, que se aposentou da Polícia Federal em 2022. A conversa sobre as férias ocorreu em 13 de dezembro de 2023. Segundo o relatório da PF, Mourão encaminhou a Vorcaro um áudio de Marilson.

Nele, o policial aposentado pediu que o Sicário falasse com o parceiro, em uma referência a Vorcaro, para saber qual decisão havia tomado. O motivo da pressa era o calendário de fim de ano. Marilson queria uma resposta porque, "devido ser fim de ano ‘A turma’ sairia de férias e ficaria tudo para cima da hora". Leia mais sobre o Master Entenda a Operação Compliance Zero, que investiga fraudes envolvendo o Banco Master Vorcaro acionou ex-diretor do BC, seu 'anjo na vida', contra mudança em fundo de pensão, mostra PF Documentos indicam que Vorcaro sabia da prisão e se preparou para fugir Vorcaro bancou modelos com jatinhos e hotéis de luxo para cortejar elite política A cobrança estava relacionada a uma demanda que já vinha sendo discutida dias antes.

Segundo a PF, o policial aposentado dizia ter se encontrado com Mourão e tratado do envio de uma "notificação ou documento similar" a um destinatário que os investigadores não conseguiram identificar. O documento já estaria pronto. Faltava a anuência de Vorcaro para que a operação acontecesse. Dois dias depois veio a cobrança associada às férias.

Os investigadores não identificam quem receberia a notificação nem qual era o objetivo daquele serviço. Segundo a PF, "A Turma" era composta por seis integrantes e recebia cerca de R$ 400 mil por mês. O dinheiro, segundo a investigação, saía de empresas ligadas ao grupo empresarial de Vorcaro e chegava ao grupo por intermédio de uma empresa de Mourão. A investigação identificou ainda repasses mensais de R$ 1 milhão da Super Empreendimentos e Participações para a King Participações Imobiliárias, empresa ligada a Mourão.

Esse dinheiro seria dividido entre diferentes grupos que eram arregimentados pelo operador. Segundo a PF, 40% do pagamento mensal cabia aos seis integrantes de "A Turma". Ainda de acordo com a PF, Mourão coordenava e intermediava "pelo menos, três grupos de pessoas cooptadas para realizarem, mediante pagamento mensal, ações criminosas no interesse pessoal de Vorcaro e de suas empresas, notadamente, o Banco Master". Outro grupo era chamado de "Os Meninos".

À "Turma", especificamente, a PF atribui tarefas que iam muito além de segurança pessoal. O relatório diz que o grupo tinha como missão fazer "levantamento de informações de inquéritos policiais e processos em andamento, inclusive sigilosos", além de mapear dados de pessoas e empresas, inclusive por meio de sistemas oficiais de acesso restrito. Os investigadores também atribuem ao grupo "ações de intimidação de pessoas, que de alguma maneira desagradavam o chefe, Daniel Vorcaro". A PF sustenta que existia uma estrutura organizada, remunerada mensalmente e acionada conforme as demandas apresentadas por Vorcaro, tendo Mourão como intermediário e Marilson como interlocutor direto do grupo.

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