Horas depois de o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinar a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de delegado e diretor-geral da Polícia Federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nas redes sociais a “quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, doa a quem doer”. O presidente, candidato à reeleição, afirmou nesta quarta-feira (9/9) que o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário, no que chamou de “maior crime financeiro da história do Brasil”. Lula cobrou transparência e não vazamentos seletivos que, segundo ele, impactam a disputa eleitoral. Ele citou como exemplo a ser seguido a operação spoofing, conduzida no STF pelo então ministro Ricardo Lewandowski, que investigou a interceptação de mensagens no aplicativo Telegram de diversas autoridades da finada “lava jato”.
Críticas de Flávio O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato a presidente, também se manifestou a respeito da decisão de Dino e afirmou que o Brasil “virou várzea”. Ele cobrou que o presidente do STF, Edson Fachin, resolva o caso imediatamente em sessão pública e ressaltou que “não é sobre esquerda ou direita, é sobre resgatar o Brasil do cativeiro”. Na última terça-feira (8/9), Flávio havia demonstrado apoio à determinação de afastamento de Andrei pelo ministro André Mendonça e chamou o diretor-geral da PF de “pau-mandado” de Lula. Interferência na PF Em decisão monocrática que reintegrou Rodrigues ao órgão, Flávio Dino proibiu novas medidas cautelares fundadas em atos praticados no regular exercício de suas atribuições funcionais, com ressalvas a eventuais apurações disciplinares, cabíveis pelos superiores hierárquicos e não por ministros do STF.
A decisão também vale para Leandro Almada da Costa, que foi afastado dos cargos de delegado e diretor de inteligência policial da corporação. Com isso, essa diretoria específica volta a operar novamente. O ministro Flávio Dino ainda ponderou que a decisão submete-se exclusivamente à autoridade do Plenário do Supremo Tribunal Federal — ou seja, o referendo ou recurso contrário não poderão ser julgados pela 1ª Turma do STF. Na tarde de terça, a decisão de Mendonça chegou a ser levada a referendo pela 2ª Turma do STF, que formou maioria para a confirmação da medida, com os votos de Luiz Fux e Nunes Marques.
A sessão, no entanto, foi interrompida por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes .