A conversa entre o ministro André Mendonça e Cláudio Castro ( PL ) sobre o caso Sérgio Cabral ocorreu um dia após a soltura do ex-governador depender apenas do STF (Supremo Tribunal Federal) para se concretizar. Um dia antes do envio da mensagem, em 10 de novembro de 2022, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro revogou dois mandados de prisão contra o ex-governador. Após acumular cinco ordens de detenção preventiva, Cabral tinha apenas a decisão do Supremo pendente. Outro item que reforça o vínculo entre as mensagens e o julgamento do TJ na véspera são os nomes dos arquivos.
Ambos contém a sigla "CL2". Ela se refere à abreviação do nome de Cláudio Lopes, ex-procurador-geral de Justiça que também era réu nos dois processos analisados na Corte fluminense. Como a Folha revelou neste domingo (13) , os dois trataram do assunto 17 dias antes de Mendonça apresentar seu voto ao STF em favor da soltura de Cabral. O ministro havia interrompido o julgamento em outubro, quando o placar estava 1 a 1.
O ex-governador foi solto em dezembro com um placar de 3 a 2, encerrando seis anos de prisão. Em nota, a defesa de Cabral disse que "desconhece o fato e ressalta que já havia conquistado quatro revogações de sua prisão preventiva em diferentes tribunais e instâncias". "Quanto ao suposto diálogo não há o que se manifestar", afirmaram em nota os advogados Patrícia Proetti e João Pedro Proetti, que defendem Cabral. O gabinete de Mendonça disse que ele conheceu Castro institucionalmente quando era ministro da Justiça, não mantém relação de amizade e que, como é de conhecimento público, "magistrados são procurados por advogados, partes e terceiros".
"O voto proferido no caso está publicamente disponível, é fundamentado e reflete entendimento que o ministro aplicou de forma uniforme em casos análogos", afirmou.