Nota da Curadoria Cientista política francesa diz que a demanda por figuras como Bolsonaro e Trump rompeu o otimismo do pós‑queda do Muro de Berlim e tende a persistir, com implicações para instituições democráticas e política externa. A procura por líderes de perfil fortemente personalista e anti-establishment, exemplificada por figuras como Jair Bolsonaro e Donald Trump, não é um fenômeno temporário, segundo avaliou uma cientista política francesa. O efeito imediato é a consolidação de expectativas públicas por governos que prometem decisão e ruptura com a tecnocracia liberal, transformando prioridades do debate político e a forma como públicas demandas são articuladas em democracias contemporâneas. Há 30 ou 40 anos, após a queda do Muro de Berlim, o liberalismo era visto como a ideologia vitoriosa.
Naquele horizonte, pluralismo, limitação do poder estatal, separação entre poderes e proteção de direitos individuais pareciam garantias permanentes. Esse quadro de confiança no funcionamento automático das instituições liberais, observa o material consultado, deu lugar a uma percepção de fragilidade que alimenta a preferência por figuras que se apresentam como reparadoras ou transformadoras. A cientista política relaciona a mudança não a um único fator, mas a um conjunto de elementos que redesenham o mapa eleitoral: insatisfações sociais e econômicas, deslocamentos culturais e a crise de representação que distorce canais tradicionais de mediação entre sociedade e Estado. Em muitos países, esse deslocamento abre espaço para narrativas que priorizam ordem, combatividade e, em certa medida, personalização do poder em detrimento de processos colegiados.
O impacto recai sobre instituições internas e sobre a inserção externa dos Estados. No plano doméstico, a pressão por maior concentração decisória pode tensionar mecanismos de freios e contrapesos e expandir conflitos entre poderes. No plano internacional, governos liderados por figuras de perfil populista tendem a adotar respostas mais unilaterais ou transacionais, o que altera negociações multilaterais e alianças históricas. Esses efeitos variam conforme contexto e arranjo institucional de cada país.
O diagnóstico da pesquisadora deixa em aberto medidas concretas de resposta. O texto original não traz recomendações detalhadas nem está claro como sociedades e instituições pretendem recuperar confiança pública sem ceder ao apelo por lideranças personalistas. Resta, portanto, a necessidade de debate público informado sobre como reforçar mecanismos de representação e proteção de direitos em um cenário político marcado por polarização e incerteza. Leia a matéria completa em Folha - Poder: acessar a publicação original .