‘O Direito é apaixonante e está em todo lugar’, diz aprovado na OAB aos 76 anos

Aos 76 anos, Sérgio Rodrigues Vieira conclui graduação em Direito e obtém aprovação na OAB, realizando um sonho antigo e inspirando pela dedicação ao aprendizado contínuo.

‘O Direito é apaixonante e está em todo lugar’, diz aprovado na OAB aos 76 anos

Logo no seu primeiro emprego, aos 17 anos, Sérgio Rodrigues Vieira trabalhou com advogados tributaristas e foi inspirado pela profissão. Quando precisou decidir qual graduação faria, porém, optou por Administração de Empresas, por influência do pai e de professores que perceberam uma crescente demanda por contadores no Brasil naqueles anos 60. Aos 76, Sérgio Vieira se formou em Direito e foi aprovado no Exame de Ordem Passadas quase seis décadas da decisão que tornou Sérgio um auditor de grandes empresas, ele decidiu aproveitar o período de exceção da pandemia da Covid-19 para iniciar uma nova graduação de forma remota e, enfim, realizar o antigo sonho. Recentemente, aos 76 anos, ele se formou em Direito em uma faculdade de Pirassununga, no interior de São Paulo, e foi aprovado no 46º exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Na segunda graduação, iniciada de forma online em 2020 e continuada presencialmente nos anos seguintes, ele enfrentou resistência de professores e colegas. “Em termos de convivência com o grupo, foi completamente diferente da primeira faculdade. Era eu com 70 anos e a rapaziada na primeira graduação, com 18, 19 anos.” Sérgio lembra que chegou a ser questionado por um professor: “Por que cursar Direito agora?”. “Na sala de aula, se eu me sentava à direita, na frente, a turma ia para a esquerda, no fundo.

Acho que olhavam para mim e pensavam: ‘Esse cara é maluco’.” Mas o tempo faz milagres e, conforme o curso avançava, o veterano aluno ia conquistando a simpatia dos colegas e o apoio dos professores. O advogado novato, que já havia cursado outras especializações com disciplinas da área jurídica, ressalta a importância da graduação no seu processo de aprendizagem. “O curso de Direito, sem demérito a qualquer outro, é uma explosão na cabeça da pessoa. É apaixonante e você aplica o tempo todo porque está em todos os lugares.” “Na graduação, você começa a praticar o Direito no dia a dia, de manhã até a noite, onde estiver.

Você sai na rua, vê coisas acontecerem… Uma briga de trânsito, por exemplo. Aí você relaciona com aquilo que está aprendendo na sala de aula”, continua ele. Aprovação na OAB Segundo o Censo da Educação Superior mais recente, Direito é o 13º curso presencial mais concorrido nas universidades públicas do país, com mais de 271 mil vestibulandos e uma relação de 13 candidatos por vaga em 2024. O levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostra ainda que Direito é a terceira graduação com o maior número de matrículas no país, atrás apenas de Pedagogia e Administração.

Já entre os cursos apenas presenciais, lidera o ranking, com quase 653 mil alunos em 2024. Apesar do grande número de matriculados, um levantamento de 2022 do jornal Folha de S. Paulo mostrou que nove em cada dez instituições que oferecem o curso no país aprovam menos de 30% dos seus alunos no exame da OAB. Segundo a pesquisa, apenas 5,4% das instituições avaliadas conseguem aprovar pelo menos metade dos seus estudantes.

“Sabendo do índice de exigência e de reprovação, passei um ano em imersão estudando sozinho, dez horas por dia”, conta Sérgio Vieira. Por isso, para ele, a aprovação no exame foi “proporcionalmente difícil e gratificante”. Há quase 20 anos, Sérgio comemorava a aprovação do filho no exame de Ordem. “Em 2007, ele comemorou a minha aprovação na OAB.

Hoje, tenho o privilégio de viver essa mesma emoção ao celebrar a aprovação dele”, diz Sergio Rodrigo Russo Vieira. Com a carteira da Ordem em mãos, o pai pretende atuar inicialmente como advogado particular nas áreas tributária, de família e empresarial. Agora colegas de profissão, pai e filho devem trocar ainda mais experiências sobre o Direito. E sobre a vida.

“Passei a vida inteira aprendendo com meu pai. Agora, aos 76 anos, ele me ensina mais uma vez que, enquanto houver vontade de viver, haverá tempo para sonhar, estudar, trabalhar e conquistar.”

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