Vista à distância, a corrida eleitoral brasileira é 'non sense'

Experimentem tentar explicar as eleições brasileiras a um jovem europeu que não acompanha política brasileira. É um exercício revelador. Deixo aqui um resumo: Leia mais (09/13/2026 - 13h39)

Vista à distância, a corrida eleitoral brasileira é 'non sense'

Experimentem tentar explicar as eleições brasileiras a um jovem europeu que não acompanha política brasileira. É um exercício revelador. Deixo aqui um resumo: — Que confusão danada é essa nas eleições brasileiras? — Pois é, a política no Brasil é um Carnaval, tem muita emoção.

É assim como em Portugal, mas em esteroides! Agora o país vai às urnas com o presidente Lula já bem idoso –a verdade é que ele nunca deixou aparecer um sucessor– e Flávio Bolsonaro à frente na corrida. Mas tem um escândalo gigante de fraude financeira e corrupção que envolve um banqueiro chamado Vorcaro (que cresceu no tempo do Bolsonaro), que se transformou na mais grave crise institucional no tribunal mais importante do país, o STF , e mexe com o eleitorado. Ninguém sabe o que vai acontecer...

— Espera aí, mas esse Flávio não é filho do ex-presidente preso por tentativa de golpe de Estado? Isso é o pior crime possível em política! Ele se distanciou do pai, claro? — Não, nada disso.

Ele é um "nepobaby" que nunca fez algo de relevante e candidata-se em nome do pai condenado para continuar a sua missão política. Diz que o julgamento, onde as provas eram inequívocas, foi uma "farsa" e promete livrá-lo da pena, mas claro que não pode anular uma sentença judicial sem conseguir uma anistia ou indulto. — Ah, mas esse Flávio é bom rapaz, ele nunca se meteu em encrenca? — Bom, o irmão dele fugiu do Brasil e a madrasta não gosta nada dele...

O Flávio já foi acusado por "rachadinha", um esquema comum no Brasil em que um político contrata assessores pagos com dinheiro público e eles devolvem parte do salário recebido. Ele tinha uma loja de chocolates com movimentações de dinheiro muito suspeitas —até vendia menos chocolate durante a Páscoa, imagina só!— e chegou a ser denunciado em 2020 por vários crimes de desvio de recursos públicos, organização criminosa e lavagem de dinheiro. —E foi condenado? — O processo foi arquivado por questões formais no STF, e os fatos não chegaram a ser apreciados, não foi inocentado.

E agora está a ser investigado por suspeitas de crimes no financiamento pelo tal Vorcaro do filme "Dark Horse", sobre o pai, que custou uma fortuna astronômica. Foram reveladas mensagens muito comprometedoras. E é possível que o filme tenha servido de saco falso para distribuir dinheiro a políticos do partido dele. — Que loucura, gente!

Então, mas a Justiça brasileira está tomando conta do assunto? — O problema é que fica difícil confiar no STF e nos seus juízes ultrapoderosos. Alguns ministros desse tribunal até têm participações em empresas que recebem patrocínios. Agora soube-se que um dos juízes, o Alexandre de Moraes , que não foi escolhido por Lula, mas está associado à condenação de Bolsonaro, trocou mensagens com o Vorcaro onde este pedia ajuda (e o banco dele tinha o contrato milionário com a mulher advogada do juiz).

Um outro juiz evangélico e identificado com os bolsonaristas divulgou as mensagens e os dois estão em luta pública que arrasa a imagem de independência da Justiça e abala o "sistema". E governo de Lula em funções perde, não tendo nada a ver com o caso… — Não faz sentido! E não tem candidato alternativo a Lula e Bolsonaro? — Tem, mas é como se não tivesse...

— Meu Deus... Pobres brasileiros, hein?!

Leia no Curador Legal